
Embora a imensa maioria da população seja a maior prejudicada pelas medidas impostas pelo mercado financeiro, é essa população que tem a maioria dos votos e poderá destiná-los à escolha de políticos que melhor possam representá-la. No entanto, a população se encontra vulnerável e confusa, diante do bombardeio da grande mídia submissa ao mercado financeiro, e também à falta de conhecimento acerca do Sistema da Dívida, seus mecanismos indecentes e até fraudes.
Direito à aposentadoria na mira do mercado
Matérias alarmistas sobre a Previdência Social, por exemplo, tentam impor a pauta de uma nova contrarreforma sobre quem quer que venha a ser eleito. O ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, envolvido em obscura renegociação da dívida externa no início dos anos 1990 (Brady – quando a questionável prescrição da maior parte daquela dívida foi ignorada, e ela foi transformada em novos títulos conversíveis em dívida interna e em moeda de privatização), sugeriu recentemente que a aposentadoria da classe trabalhadora brasileira ocorra somente a partir dos 67 anos, tanto para homens como para mulheres!
Além disso, documentos do Banco Mundial indicam que, para segurança do Sistema da Dívida (o chamado “equilíbrio fiscal”), brasileiras e brasileiros deveriam se aposentar somente aos 78 anos, o que é abusivo, considerando que a maioria do povo trabalhador não chega vivo nessa idade. Tratam do tema como se fosse algo obrigatório a ser feito por qualquer governo que seja eleito, sob a justificativa de “reduzir a dívida pública”, que na realidade cresce devido às inexplicáveis taxas de juros e outras fraudes, que nada têm a ver com um suposto excesso de gastos previdenciários ou sociais.
Ajuste fiscal
O mais infame é ver os diversos grandes partidos se submeterem a essa mídia servil e ficarem competindo entre si para mostrar quem vai fazer o “ajuste fiscal” mais intenso, como se atender ao mercado financeiro e continuar pagando os juros mais elevados do mundo sobre uma questionável dívida repleta de ilegalidades, ilegitimidades e até fraudes fosse sinônimo de “responsabilidade fiscal”. Enquanto isso, a maioria da população é mantida na pobreza e o nosso desenvolvimento socioeconômico e ambiental fica travado.
O medo que existe, na realidade, está com os rentistas, receosos de que um governo legitimamente eleito pelo povo adote as medidas soberanas para romper com as falsas barreiras inventadas pelos ideólogos do Sistema da Dívida. Por isso o mercado financeiro pressiona tanto e impede o avanço do debate sobre a necessária auditoria da dívida e seus mecanismos financeiros indecentes, a exemplo do esquema de Securitização de créditos públicos que gera dívida pública disfarçada, que sequer é contabilizada como dívida, e é paga por fora dos controles orçamentários, durante o percurso das receitas públicas pela rede bancária.
Enquanto os governos e candidatos se curvam à pressão da imprensa servil, o Sistema da Dívida amplia ataques contra a estrutura do Estado, propondo mais cortes de direitos sociais, a exemplo da fragilização dos pisos de recursos da saúde e educação. Anunciam também que a contrarreforma administrativa terá que ser aprovada por meio da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 38/2025, que poderá ser votada após as eleições.
Endividamento das famílias
Adicionalmente, o mercado quer ampliar o seu poder sobre o Banco Central e impedir qualquer tipo de controle sobre essa instituição por meio da aprovação da PEC 65/2023. Essa proposta autoriza que o Banco Central compre papéis podres de bancos, entre outros escusos negócios jurídicos, e fique completamente imune a qualquer controle ou questionamento dos poderes constituídos. Essa PEC dará ainda mais liberdade para a definição das injustificáveis e exorbitantes taxas de juros que têm levado inúmeras empresas (inclusive grandes) à quebra, além de agravar o endividamento das famílias, e provocar a explosão da chamada dívida pública.
Nossa soberania se encontra em risco, face à ampliação da dolarização do país por meio da Resolução BC 575/2026, editada pelo Banco Central e até o momento não revogada pelo Conselho Monetário Nacional.
Na mesa, privatizações
Os discursos de candidatos favoráveis às privatizações de patrimônio público estratégico, como no caso dos Correios, Banco do Brasil e Petrobras, deveriam influenciar o voto de boa parte da população, que fica cada vez mais prejudicada com a redução do Estado, porém, muitas vezes não recebe suficiente informação.
Visando obter de candidatos e candidatas às eleições 2026, as entidades integrantes do Conselho Político da Auditoria Cidadã da Dívida, coletivamente, decidiram elaborar a Carta-Aberta Eleições 2026, Relatórios das dívidas dos estados de Minas Gerais e São Paulo, além de disponibilizar ferramentas de mobilização contra as diversas pautas impostas pelo mercado financeiro, as quais podem ser acionadas com apenas um clique, a fim de facilitar a participação social.
Poderíamos e deveríamos estar em um patamar de desenvolvimento muito superior, caso o país não priorizasse o enriquecimento ainda maior de super ricos, por meio do Sistema da Dívida, que tem sido uma das mais cruéis formas de subtração de recursos das áreas sociais para transferi-las para uma elite de rentistas nacionais e internacionais. Esperamos que representantes eleitos pelo povo enfrentem esse sistema e a ganância do privilegiado mercado financeiro.
Fonte: Extra Classe