
Evento do Sindicato reuniu categoria com psicóloga e diretores que abordaram dificuldades do cotidiano da categoria e ações possíveis para o bem-estar
Na noite de quinta-feira, 13 de agosto, dezenas de bancários participaram do evento Saúde Mental no trabalho bancário, realizado no auditório do Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul e Região.
Os diretores Vaine Andreghete e Eduardo Zuchinali fizeram a abertura do evento, saudando a participação, mesmo em dia frio e chuvoso.
Saúde do Trabalhador
Em seguida, Jacéia Netz, que é especialista em Saúde e Trabalho pela UFRGS, mestre em Serviço Social e tem mais de 30 anos de experiência em saúde do Trabalhador, explicou o conceito atual de saúde do trabalhador e relatou a experiência desenvolvida pelo Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e região. A entidade conta com o Grupo de Ação Solidária (GAS), um espaço horizontal de apoio, resistência e acolhimento criado em 2002 para bancárias e bancários que adoeceram devido à pressão por metas e ao assédio no trabalho.
Vaine lembrou que, na base de Caxias do Sul e região, foi realizada experiência semelhante, com a criação do grupo de União Solidária dos Bancários Afastados (USBA), que funcionou de 2007 até o período da pandemia e deve ser retomado em breve.
“Quem atua com a saúde do trabalhador sabe que nunca foi tão difícil quanto agora. Antes o sofrimento era predominante físico, como a LER/DORT, mas hoje o principal é o sofrimento mental. E todo sofrimento no trabalho leva a um adoecimento”, destacou Jacéia.
Bancários adoecem antes
Para Raquel Gil, diretora de Saúde da Fetrafi/RS que palestrou em seguida, “os bancários têm como ‘patrão’ os bancos, infraestrutura central e o motor do sistema capitalista, por isso são atingidos antes por tudo aquilo que vai impactar a sociedade depois. Não são os bancários que estão errados, que estão doentes, é o sistema. Nós temos que mostrar que isso está acontecendo e lutar contra isso, pois não queremos venha a atingir todas as famílias”, disse.
Raquel alertou sobre a existência do canal de denúncias da Fetrafi, que pode ser acessado pelo aplicativo ou site do Sindicato. Por meio dele podem ser feitas denúncias inclusive anônimas e é possível que quem denunciou acompanhe o andamento do caso.
Precisamos resistir no coletivo
A psicóloga que está atendendo o Sindicato, Maria Marlene Faria, iniciou a sua fala relatando que também sofreu assédio moral no trabalho e se solidariza com todas as pessoas que passam por essa situação.
“Os agressores prevalecem quando temos medo, quando não conseguimos nos unir e levar adiante as denúncias. Enquanto o neoliberalismo incentiva o individualismo, precisamos resistir no coletivo, sermos solidários com a dor do outro e buscar ajuda, inclusive ajuda profissional.“
Maria Marlene falou sobre o livro Sociedade do Cansaço, do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han. “Num mundo em que a exaustão, a agenda cheia, a autocobrança extrema são valores, entramos no modo automático e nos perdemos do nosso mundo interno”, explicou.
A psicóloga indicou também os livros:
– A coragem de ser imperfeito, de Bené Brown;
– O poder do Agora, de Eckhart Tolle;
– Manual de Mindfulness e Autocompaixão, de Kristin Neff.
Enfatizando que a vida não é só trabalho e que precisamos evitar – ou tratar – as doenças da “Sociedade do Cansaço”, como depressão, TDAH, burnout, TAG, doenças psicossomáticas e transtornos de ansiedade, Maria Marlene falou sobre a felicidade, com dicas práticas para o cotidiano como cultivar relacionamentos, exercer a gratidão, praticar meditação e aceitar as emoções. Depois, ela conduziu um breve exercício de respiração consciente com os participantes.
O evento teve ainda diversas participações com perguntas, depoimentos e opiniões dos bancários e bancárias.
Para Eduardo Zuchinali, diretor da Secretaria de Saúde, Aposentados e Políticas Sociais do Sindicato, a atividade foi um marco para o projeto do Sindicato Mais Saúde – Todo cuidado conta! “Este é o início de uma nova fase, pois estamos retomando os atendimentos psicológicos e buscando a retomada do grupo de apoio. Não podemos aceitar a situação atual em que se encontra a saúde dos bancários, precisamos agir!”, concluiu o diretor.



