
Mudanças no Segmento Empresas reduzem remuneração variável, ampliam metas, mantêm diferenças salariais e aumentam a insegurança entre empregados
Entre as principais preocupações está a redução da remuneração variável semestral (VB). Após a ressegmentação das carteiras da Plataforma PJ, diversas carteiras classificadas como Porte A passaram a ser enquadradas como Porte B, principalmente devido à migração de clientes de maior porte para outros segmentos ou para o atendimento digital. Como o valor da remuneração variável é calculado de acordo com o porte da carteira, muitos trabalhadores podem sofrer redução de até 50% nesse pagamento, apesar de as mudanças terem sido promovidas exclusivamente pelo banco.
Outro ponto crítico é a unificação dos segmentos Pro Smart e Pro. Com a extinção do Pro Smart, os gerentes passaram a atuar em um único segmento, submetidos às mesmas metas e aos mesmos indicadores de desempenho, embora continuem atendendo carteiras com perfis distintos e recebendo salários diferentes.
A COE Itaú questionou o banco sobre a ausência de equiparação salarial entre profissionais que passaram a exercer atividades equivalentes. Em resposta, o Itaú afirmou que não promoverá a equiparação, sob a justificativa de que as modalidades atendem clientes de portes diferentes e, por isso, enfrentam desafios distintos.
Para a representação dos trabalhadores, no entanto, o argumento é contraditório. “Se o próprio banco unificou os segmentos e passou a exigir as mesmas metas e os mesmos indicadores de desempenho para todos os gerentes, não faz sentido manter diferenças salariais utilizando como justificativa as características das carteiras”, disse a coordenadora da COE Itaú, Valeska Pincovai.
A reestruturação também eliminou a premiação com viagem internacional para os gerentes, mantendo o benefício apenas para gestores, o que aumentou o sentimento de desvalorização entre as equipes.
Além disso, os trabalhadores relatam que, mesmo com a redução das carteiras decorrente da migração de clientes para o atendimento digital e outros segmentos, as metas foram ampliadas neste trimestre, tornando o alcance dos resultados cada vez mais difícil. Há ainda preocupação com o retorno de gerentes às agências físicas em algumas localidades, sem que o banco tenha esclarecido quais serão os impactos sobre as atribuições, a estrutura de trabalho e a carreira desses profissionais.
Outro problema recorrente envolve a política de reembolso para visitas a clientes. Segundo as denúncias recebidas pela COE, os valores pagos estão defasados e, quando o empregado utiliza veículo próprio, o sistema impede, em determinadas situações, a opção pelo uso de aplicativos de transporte, fazendo com que o trabalhador arque com despesas que deveriam ser assumidas pelo banco.
Todos esses pontos foram apresentados ao Itaú pela COE. Até o momento, além da resposta sobre a equiparação salarial, o banco não apresentou retorno às demais reivindicações relacionadas à redução da remuneração variável, ao aumento das metas, ao fim da premiação para gerentes, ao retorno às agências e à revisão da política de reembolso.
Para a coordenadora da COE Itaú, o banco precisa conduzir processos dessa dimensão com diálogo e respeito aos trabalhadores. “Queremos transparência nos processos de reestruturação e garantia da preservação dos empregos e dos direitos dos trabalhadores. Mudanças dessa magnitude não podem ser implementadas sem diálogo com a representação dos empregados e sem critérios.”
A COE destaca que o Itaú divulga, trimestre após trimestre, resultados bilionários, o que torna ainda mais injustificável a adoção de medidas que reduzam a remuneração dos trabalhadores, aumentem a cobrança por resultados, mantenham diferenças salariais para funções equivalentes e ampliem a insegurança entre os empregados.
A representação dos trabalhadores afirma que continuará acompanhando de perto a reestruturação do Segmento Empresas e cobrando respostas concretas para todas as demandas apresentadas, reforçando que transparência, valorização dos trabalhadores e respeito aos direitos devem fazer parte de qualquer processo de reorganização promovido pelo banco.