|
|
|
|
|
|
|
O quinto e último módulo do Diálogos para Ação 2013 partiu para a ação direta do ativismo sindical. Depois que delegados sindicais acompanharam durante todo o ano histórias do sindicalismo mundial, tendências para o futuro, o professor Vito Gianotti foi direto ao ponto nesta sexta-feira, 29/11. Por quatro horas, no auditório da Casa dos Bancários, o diretor do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), além de expor um conjunto de práticas que formam um SINDICALISTA com todas as letras maiúsculas, traçou uma síntese da prática: a luta é diária e nunca termina. |
|
Mas como se faz esta luta? Não é difícil, mas exige dedicação e trabalho. O sindicalista, que faz da sua rotina a força para o combate contra aqueles impedem que os trabalhadores alcancem melhores condições de trabalho e conquistem a hegemonia da forma de fazer política e do poder político, tem que estar ligado no que o inimigo está escrevendo (jornais, TV, internet), no que está representando (novelas, filmes) e estar sempre em contato com os trabalhadores. “Para o sindicalista, é essencial estar todo o dia em contato. No caso dos bancos, tem que fazer visita por rodízio em todas as unidades diariamente. Tem que ouvir e conversar da vida, do lazer e da luta também”, ensina. Mas, espera aí. Como um homem da estirpe de Vito Gianotti, metalúrgico e histórico fundador do PT, aconselha o sindicalista a assistir às novelas da Rede Globo para mobilizar a luta contra aquelas que a Globo defende? Muito simples. Comunicação se faz diariamente e de forma presencial. Lembremos: contato. E como convencer um bancário de que precisa ir à luta se quiser ter um ambiente de trabalho melhor, mais horas de lazer e um plano de saúde, com salário decente? “Você não vai chegar chamando o bancário de companheiro. Tem que perguntar o nome. Nem vai comentar que a luta é contra o capitalismo. O bancário é um sujeito normal, como todo o trabalhador. Tem time de futebol, assiste novela. Mas não vai falar só de futebol também.Você começa falando da novela e, quando vê, está falando da luta dos trabalhadores e conversando sobre greve”, acrescenta Vito. Depois dessa, digamos introdução à prática necessária e antenada do sindicalista, o sábado será reservado ao entendimento de algumas ferramentas fundamentais. Neste sábado, 30/11, das 9h às 17h, será realizada a segunda parte do quinto e último módulo do ano do Diálogos para Ação, com a palestra “Todas as possibilidades de Mídia Aplicada à Mídia Digital”, ministrado pelo jornalista Arthur William, do NPC. Aqui, vamos trabalhar não só o significado das novelas, o que temos a aprender diariamente, mas saber como se opera a mudança com o uso da tecnologia da informação.
De novo, Vito, o que mesmo a novela da Globo tem a ver com a prática sindical? “Tudo. Porque nós queremos lutar por valores. Queremos lutar contra o racismo, contra a discriminação da mulher. Em tudo que lugar que a gente está, na igreja, na fábrica, no cinema, na padaria, na escola do filho, nós temos obrigação de conversar, de fazer a luta contra a hegemonia. E sempre andar com um panfleto do sindicato no bolso”, diz Vito. Elogio ao SindBancários Estar antenado nas coisas que fazem parte da vida dos bancários é o primeiro item de cinco que o professor apresenta como indicadores e mobilizadores da luta. Os outros quatro são elaborar atividades de aglutinação, de constante formação, estimular iniciativas de auto-organização e se comunicar. Tudo isso demanda presença pessoal. O folheto, o jornal, o site da internet, o Facebook, toda a parafernália tecnológica que o sistema de mídia oferece e exige que os sindicatos estejam presentes deixam de fazer sentido se o delegado sindical não incorporar à sua prática os ensinamentos que a guerrilha vietnamita usou como discurso para mobilizar e derrotar os Estados Unidos na Guerra do Vietnã, nas décadas de 1960 e 1970. Dizia o líder do Vietnã do Norte, Ho Chi Min, gênio da estratégia de guerra e de resistência que os lutadores precisam aplicar “os três juntos”. Trata-se de viver junto, comer junto e trabalhar junto. Essa tríade prescinde de que o ativista estude muito, estude tudo, desde como os patrões, no caso dos bancários, os banqueiros, pensam até a sua própria história. Ao final da aula, Gianotti fez um elogio à participação dos bancários nos módulos que se iniciaram em abril e chegaram a esta sexta-feira. Em tempos de refluxo da luta dos trabalhadores, de individualismo efeito das políticas de flexibilidade e de redução dos direitos dos trabalhadores, legado do neoliberalismo, Vito diz que o SindBancários deve servir de modelo por conta da importância que dá à formação. “Vivemos um tempo de desunião e individualismo. Está muito difícil mobilizar para a luta. A nossa munição é o conhecimento. Temos que estudar muito para sermos bons lutadores e trabalhar muito também. Faz 20 anos que dou curso e nunca tinha conseguido juntar tanta gente. Vocês estão fazendo um grande esforço de formação.” O diretor de formação do SindBancários, Luciano Fetzner, avaliou como positivo o curso e a participação dos delegados sindicais de todo o Estado. “Creio que nos últimos dois anos o grande número de companheiros que participaram mostram o acerto dos temas. No ano passado, trabalhamos as revoluções marxistas pelo mundo. Foi uma parceria muito importante com a UFRGS. Este ano, tivemos o privilégio de contar com o professor Vito, que é uma lenda viva, um sábio, que dedica a sua vida a transmitir aquilo que viveu na prática da luta sindical”, disse Luciano. *Imprensa Fetrafi/SindBancários |